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O Racionalismo Cristão, por ser uma filosofia espiritualista, divulga princípios universais para que sejam estudados e, após a necessária reflexão, colocados em prática, tornando os seres humanos espiritualmente independentes.
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LUIZ ALVES THOMAZ, VIABILIZADOR ECONÔMICO DO RACIONALISMO CRISTÃO

Luiz Alves Thomaz, foi uma figura não menos importante que o codificador Luiz de Mattos. Considerado viabilizador econômico desta doutrina.

Luiz de Mattos talvez não pudesse ter levado a efeito a implantação do Racionalismo Cristão, sem a preciosa ajuda do seu intemerato amigo e companheiro de lutas, Luiz Alves Thomaz.

Enquanto o primeiro codificava e burilava a parte cultural e teórica da Doutrina, facilitando a sua compreensão e aplicação na vida, o segundo desenvolvia uma eficiente ação prática, solidificando as bases materiais para garantir a independência da Doutrina.

A ambos deve-se essa fonte de esclarecimento e saber que se sintetiza na Doutrina Racionalista Cristã, porque os dois se completavam na integração de um só idealismo, de uma única estrutura, de uma perfeita realização.

Luiz de Mattos e Luiz Thomaz simbolizam os heróis da alma lusa, cuja aura sempre recobriu o Brasil na majestosa seqüência dos fatos históricos.

Sobre a vida de Luiz Thomaz, podemos dizer que, nasceu em Portugal, a 4 de Agosto de 1871, na cidade de Moita, freguesia e Conselho de Castanheira de Pêra, Distrito de Leiria.

Filho de Luiz Alves Thomaz e de D. Maria Diniz Alves Thomaz, uma mãe humilde, honesta e valorosa que juntamente com seu pai, formavam um casal rústico e de caráter impoluto. Neste lar humilde, mas puro de sentimentos, viu-se crescer e chegando a menino, já despertou em si o amor pelo trabalho, o desejo de progredir pelo esforço próprio e achando acanhado demais o meio em que vivia, concebeu a idéia de transportar-se para um campo de maior ação, e este seria fora do seu Portugal, porém entre gente ligada pela tradição, raça e espiritualidade.

Deixou o lar paterno com a idade de 15 anos, para imigrar para o Brasil, desembarcando na cidade de Santos a 28 de Maio de 1887.

Entrou menino para o comércio, mas foi sempre distinguido pelos seus patrões, pelas suas grandes qualidades de trabalho e de economia.

Jovem ainda, viu-se comerciante à força. Um seu irmão, José Alves Thomaz, de quem sempre foi muito amigo, estabelecido em Lisboa, sem nada lhe prevenir, manda-lhe certa vez, grande partida de gêneros alimentícios. Alguns perecíveis. Sem recursos para pagar os direitos de tudo, retirou parte da mercadoria para vender e com o produto da venda, formar capital para o pagamento dos direitos do restante da mercadoria armazenada na alfândega.

Entre a mercadoria consignada, grande parte consistia de batatas e cebolas que se deterioram facilmente. Desalentado, Luiz Alves Thomaz abriu mão das suas parcas economias, acumuladas com os minguados ordenados de caixeiro, em favor da mercadoria, para que o prejuízo do irmão fosse menor.

Cambiou todo o dinheiro apurado na venda e conjuntamente com o que era seu, remeteu tudo ao seu irmão, que longe de suspeitar o que tinha acontecido, ficou satisfeitíssimo com o resultado havido.

E, embora Luiz Alves Thomaz mandasse dizer que não consignasse mais nada, pedindo-lhe desculpas pelo prejuízo ocasionado dado os acidentes havidos com a mercadoria, ao que lhe respondeu com outra consignação ainda maior.

Diante disto, viu-se obrigado a ser comerciante antes do tempo. E assim é que no ano de 1888, associa-se ele com outro irmão, Manoel Alves Thomaz, já trabalhando também no comércio de Santos. Desta forma, fundaram a firma Thomaz Irmão & Cia, à Rua Xavier da Silveira, passando em 1892 para a Rua 24 de Maio.

Ambos trabalhadores e honestos conquistaram crédito e prestígio, mas por divergência de gênios tiveram que em julho de 1908, separar a sociedade, liquidando a firma com grande ativo para ambos, pois, já haviam ganhado o bastante para viverem de rendas.

Livre dos negócios, mas abatido moralmente, dada a liquidação de uma Casa Comercial próspera e cuja firma pela sua tradição, podia fazer a fortuna de algumas gerações, começou Luiz Alves Thomaz a passar mal, a sentir-se enfraquecido, pois, embora ele sozinho pudesse continuar gerindo os negócios, não o quis fazer por princípios de lealdade ao irmão; já que ambos se estabeleceram, ambos tinham que se desfazer da Casa, visto considerar uma deslealdade o ter de embolsar seu irmão e ficar ele a testa da firma.

Desfeita a sociedade, Luiz Alves Thomaz foi a Portugal, mas pouco demorou. O seu irmão Manoel Alves Thomaz, continuou em Santos dedicando-se ao ramo de hotelaria. Construiu o Palace Hotel, na praia do José Menino. Este hotel possuía dois lances de escadaria, terraço e decorações arquitetônicas, ostentando uma aparência monumental. Foi inaugurado em 5 de Março de 1910 e demolido em 1964, para ser substituído por empreendimento imobiliário.

De negociante chegou a capitalista, proprietário e fazendeiro, crescendo sempre a sua fortuna, à custa do seu labor honrado, jamais com um real que a outrem pertencesse, o trabalho, a economia, o método, a disciplina, o respeito ao alheio e o bem querer ao seu próximo, constituíam sua imaculada divisa de homem honrado.

Aos quarenta anos, possuindo fortuna material, podendo viver no fausto, não alterou os seus hábitos de homem simples.

Sentindo-se adoentado e os médicos consultados não acertando com a causa do mal que o entristecia, dominado por certa nostalgia espiritual, começou a pensar em si, na fortuna e na humanidade! Foi a Portugal buscar tratamento médico.

Quando Luiz Alves Thomaz voltou de Portugal, estava faltando alguma coisa aquela alma sequiosa de espiritualidade. Sempre aferrado ao pensamento da discórdia havida consigo e seu irmão, sentia-se mal, e, não só por isso, como por ser um espírito lutador, não podia conformar-se com aquela vida de inação comercial.

Luiz Thomaz não tinha religião. Por convenção social, assistia às chamadas missas de corpo presente ou por alma de um ou outro, mas por convicção religiosa, não freqüentava igrejas nem festas religiosas. Respeitava a crença dos outros qualquer que fossem, cuidando unicamente de seus deveres morais e materiais.

Era bom filho, dedicado irmão, foi bom tio, protegendo sempre seus sobrinhos, era dedicadíssimo amigo, exemplar marido.

Foi desiludido dos tratamentos médicos que vinha fazendo, neste estado de aborrecimento e contrariedade é que veio ele a conhecer pessoalmente Luiz de Mattos, pois, no alto comércio e na colônia portuguesa, já de há muito o conhecia, dada a evidência do mesmo naqueles meios. No espiritismo tratou-se e curou-se, mas ainda não estava satisfeito.

Encontraram-se ambos em casa de um terceiro, que era amigo dos dois e também um dos que havia encarnado para servir a Verdade, encetaram conversação e dentro de algum tempo, com freqüência às sessões foi vindo-lhe a luz e como que despertando de um sonho, começa a compreender a vida de um outro prisma, o foro íntimo acusa-o de ainda não ter feito nada do que precisava fazer. Logo, foram dados os primeiros passos para a fundação da Doutrina da Verdade ou Espiritismo Racional e Científico Cristão.As sessões passam a ser feitas em prédio seu, mudando-se, portanto, o centro.

Estuda conjuntamente com Luiz de Mattos a doutrina espírita, vêm e sentem na ocasião, ser ela a maneira ideal de se divulgar a Verdade; tornam-se ambos dois grandes amigos. E eis Luiz Thomaz, não o fanático, mas o convicto, o crente na vida fora da matéria a sentir-se confortado, animado, encorajado para novos empreendimentos, para os quais vai encarnar a sua majestosa obra, passando à posteridade, de geração em geração, com todo o brilho merecido através do Racionalismo Cristão!

Ele e Luiz de Mattos fundiram-se num só querer para o bem! São duas colunas possantes que sustentam magnificamente o monumento da verdade. Se um é a coluna mestra dos Princípios, o outro é a coluna mestra do patrimônio, Luiz Thomaz.

Em 25 de Maio de 1911, casa-se Luiz Alves Thomaz, em regime de comunhão de bens, com a sobrinha de Luiz de Mattos, Amélia Maria Mattos, a qual passou a chamar-se Amélia Maria de Mattos Thomaz. Entrou assim, Luiz Alves Thomaz para a família de Luiz de Mattos a quem chamava de “tio”. Desse casamento não teve filhos.

Desde, antes de casar-se, Amélia Maria de Mattos era médium desenvolvida.

Luiz Alves Thomaz, escravo de suas obrigações, só se sentia satisfeito quando as tinha cumprido. Para ele, não havia mal tempo ou “se não pagar hoje, pago amanhã”. Amigo de honrar seus compromissos, muitas vezes foi visto debaixo de chuva torrencial a caminho de suas fazendas para no dia predeterminado efetuar os pagamentos aos seus funcionários.

Travou lutas titânicas na defesa dos seus direitos, mas nunca deu um passo para lesar quem quer que fosse; pelo justo ele era capaz de ir ao fim do mundo, buscar o que por direito lhe pertencia, nada lhe fazia alterar seus hábitos de honradez.

Nas lutas travadas com os amigos do alheio, viu-se ele por mais de uma vez, perseguido por mãos criminosas, porém nunca estremeceu, nem desistiu; os bandidos perdiam a pista e ele saia sempre ileso das emboscadas homicidas.

Certa ocasião, tendo de ir duma fazenda a outra, viagem de horas, mandou aprontar a montaria e, tomando-a, seguiu caminho, porém, antes, disse-lhe o administrador:

- O Sr. não vá só, seguirá consigo o fulano porque se consta que estão à sua espreita...

- Não quero que vá pessoa alguma comigo, disse no seu tom de voz forte, Luiz Alves Thomaz.

O administrador não insistiu mais, mas ficou apreensivo.

Pois bem, chegado a certo trecho do caminho, Luiz Alves Thomaz quis encurtar a viagem, indo por um atalho no qual passava sempre, mas quem era capaz de fazer o cavalo obedecer aos sinais dados pelas rédeas do cavaleiro?

Não houve meios; o cavalo empacou e Luiz Alves Thomaz teve que seguir pela estrada, entretanto, o animal estava habituado a fazer aquele trajeto pelo atalho.

Este fenômeno é corriqueiro entre os viandantes e está bem explicado no livro “A Vida Fora da Matéria” (Gravura no. 28, 11º, Edição – 1967), como prova de que o ser quando anda bem assistido, não pode ser vítima dos malvados, dos malfeitores.

O que é certo, porém, é que seus inimigos estavam à espera que Luiz Alves Thomaz palmilhasse aquele caminho, pois sabiam que ele inalteravelmente, tinha que passar por ali, visto ser a rota de sempre.

E, como esta, muitas outras emboscadas lhe foram armadas, mas seu espírito não soube nunca o que fosse medo.

De uma simplicidade a toda prova, quem o visse o julgaria um proletário qualquer e nunca um milionário.

Quem o quisesse ver satisfeito era falar-lhe da vida de trabalho e economia. Era homem de fazer questão de cem réis e de dar contos de réis. Sempre se sentiu bem entre os humildes, entre os operários ou trabalhadores.

Luiz Alves Thomaz manteve-se exemplarmente na sua missão, ora predicando com a fortaleza dos seus conhecimentos, ora preparando fundos para a manutenção da grande obra. Soube aplicar, com grande perícia, na vida prática de negócios e na economia privada, as sábias e incomparáveis lições que o Racionalismo Cristão ministra, sempre colhendo, como prova do seu valor, os mais auspiciosos resultados.

Forte, enérgico, operoso, extremamente simples e controlado, desfrutou de plena autoridade moral na corporificação de todos os seus atos, sempre comedidos e seguros, angariando amizades e simpatias através de suas atitudes cativantes.

É princípio básico da Doutrina que sendo, como é, uma entidade de elevado cunho espiritualista, não se deve formar e manter a custa da migalha do necessitado, da espórtula do desprovido, do sacrifício do sacrificado.

Para solucionar este aspecto dos trabalhos que iriam desenvolver no Planeta, ao invés de ficarem na dependência de humilhantes peditórios terrenos, como é comum, por falta de esclarecimento espiritual, decidiram de pleno acordo resolver, exatamente a situação financeira desta Doutrina.

Deste modo e graças a Luiz Alves Thomaz, a Doutrina Racionalista Cristã nasceu independente, nunca soube o que foi pedir e nem o deseja saber. Ela se impõe por princípios imutáveis, e estes determinam que, em matéria de dinheiro, os assuntos espirituais com ela não se imiscuam.

Partiu deste mundo cinco anos depois do seu companheiro de ideal, Luiz de Mattos, em 8 de dezembro de 1931, após cumprir a principal incumbência de deixar amparado, financeiramente, o movimento Racionalista Cristão, que já por esta época crescia, em número de adeptos.

Quando se abriu o testamento de Luiz Alves Thomaz, feito um ano antes de sua desencarnação, simples como fora toda a existência deste grande batalhador, desvendou-se aos que não o conheciam na intimidade toda a grandeza do seu amor ao próximo.

Deixou e legou bens aos seus parentes de Portugal; ao Hospital de São José em Castanheira de Pêra, Distrito de Leiria em Portugal; aos professores e alunos da Escola Pública de Moita da Castanheira de Pêra, em Portugal; ao seu amigo Francisco Bento de Carvalho; à Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos-SP; ao Real Centro Português de Santos-SP; à Escola Portuguesa de Santos; ao Asilo de Órfãos de Santos-SP; ao Asilo de Mendicidade de Santos-SP; à Gota-de-Leite de Santos-SP; à Sociedade Creche Asilo Anália Franco de Santos-SP; à Sociedade Amiga dos Pobres Albergue Noturno de Santos-SP; à Sociedade Humanitária dos Empregados no Comércio de Santos-SP; à sua esposa Amélia Maria de Mattos Thomaz; ao Centro Espírita Redentor, Rio de Janeiro, deixou e legou o uso fruto perpétuo de 75% de todos os seus bens, como cláusula de inalienabilidade vitalícia.

Este testamento foi contestado pelos sobrinhos de Luiz Alvez Thomaz. Julgado em Agosto de 1938 pelo Supremo Tribunal Federal, foi dado ganho de causa a D. Amélia de Mattos Thomaz e à Doutrina Racionalista Cristã.

Quatro dias após a sua desencarnação, Luiz Alves Thomaz deu a seguinte comunicação, em sessão especial de Doutrinação, em 12 de dezembro de 1931, no Centro Redentor do Rio de Janeiro:

Entre amigos! Espero ser ouvido e recebido como desejo!

O mundo tem suas misérias, os homens quando por ele passam, tem suas misérias, os homens quando por ele passam, ficam com suas almas como que entorpecidas, pesa-lhes demais o corpo e por vexes é difícil, mui difícil à clarividência que deveriam possuir. Mas uma vez cassada a vida material e passada à espiritual, como tudo se transforma! Como tudo se modifica! Como o ser sente completamente diferente daquilo que foi, daquilo que demonstrou, daquilo que fez...

Não vos venho mendigar desculpas, mas venho até vós como companheiro leal, amigo e sincero que hoje sou!

As dores morais, os abalos produzidos pelas injustiças, pela falta de raciocínio, hoje não mais devem imperar.

Como homem físico lutei, como homem astral, hoje, lutarei.

Esta Doutrina, filha das Forças Superiores, sua jóia predileta, que a nós foi confiada para sua divulgação na Terra, deve ser divulgada, deve ser explanada, deve ser respeitada e obedecida por aqueles que na Terra se dizem seus instrumentos, e o devem ser de fato.

A minha manifestação entre vós, amigos, não tem outro fim se não a solidariedade, a amizade, o apoio todo espiritual que doravante vos tributarei.

Quando na Terra, vivi mais materialmente do que espiritualmente: trabalhei para a Doutrina mais materialmente do que espiritualmente, porque pesava sobre os meus ombros a sua manutenção; olhava por ela com os olhos mais da matéria do que do espírito, porque era preciso precavê-la dos salteadores; mas hoje, a coisa mudou de figura, encaro-a conforme deve ser encarada, e desejo incentivar-vos para que se faça a sua explanação, respeitando os seus Princípios.

A vida terrena é de fato uma vida de sofrimentos: na Terra só se encontram dores, desgostos, mas a vida espiritual para o ser que foi esclarecido, é um consolo, um descanso, é de fato aquilo que deve ser.

Solicitando-vos, pois a vossa lealdade, e que entre vós exista o espírito de justiça, a sinceridade, desejo-vos fortes para enfrentar a luta, desprendidos para cumprirdes os vossos deveres, independentes para que possais ser sempre respeitados e jamais atacados no vosso moral.

E tu (Antonio), companheiro e amigo, a quem eu estimava, mas de quem muitas vezes não era compreendido, sentes agora a minha amizade?

- Sempre a senti, sempre te considerei um amigo, só lastimava que houvesse a antepor-se entre nós a desgraçada matéria, que não deixa ver as almas no seu irradiar, no seu querer, no seu espargir de amizade verdadeira! Responde-lhe Antonio do Nascimento Cottas.

- Sim, como já vos fiz sentir, a matéria é densa e por vezes os nossos defeitos de educação muito concorrem para que não sejamos aquilo que desejamos ser.

Quantas vezes fui injusto!... Quantas vezes!... Mas uma vos quero fazer sentir:
Embora Vos parecesse um “mata-mouros”, eu só tinha um fim: acordar, abrir os vossos olhos e encaminhar-vos para a vossa independência material, desejando-vos livres por completo, a fim de poderdes trabalhar com mais desembaraço, com mais liberdade em prol da Doutrina.

Respeitei sempre as Forças Superiores, só as não respeitava quando não as compreendia e muitas vezes erroneamente as evocava para deliberações que só a mim me competiam; mas isto mesmo, fazia com espírito de obediência.

Mas, desejando que ponhais uma pedra no passado, tende agora em mira somente o presente, portanto, lutai com denodo, procurai dar à Doutrina o impulso de que ela carece. O que por ela fiz não é demais em comparação àquilo que ainda por ela podia fazer, mas isso mesmo bem aproveitado e encaminhado lhe garantirá a sua eterna independência.

Que possas, portanto, (Antonio) gerir tudo que diz respeito à Doutrina com independência precisa, com cuidado meticuloso de que carece, a fim de que possas, livre e independentemente pregá-la, explaná-la e levá-la por diante.

Temos confiança plena em ti e em diversos companheiros teus, mas também não podemos deixar de vos prevenir que não vos descuideis, que procureis sempre fortificar as vossas almas e encarar a vida tal qual ela se apresenta.

A Doutrina é bela! Mas quando ainda na Terra nem sempre é por nós compreendida como deve ser.

Quantas falhas, quantas faltas não pratiquei por não compreendê-la!... Por isso, vós deveis ter sempre em mira os nossos conselhos, caminhar sempre com calma, com prudência, raciocinando muitíssimo e pesando todos os vossos atos, para que não venhais a sofrer as conseqüências.

Desejo (ao Antonio), que saias o mais depressa possível da situação em que te encontras; emprestarei o meu apoio espiritual para que isso se realize o mais depressa possível; quero-te independente, valoroso e forte à frente da Doutrina, lutando com valor, tudo superintendendo, tudo fiscalizando, tudo examinando meticulosamente para que não sofra uma só parcela daquilo que lhe cabe.

E também quero que empresteis todos vós, o apoio da vossa irradiação, todo o moral preciso, àquela que foi a minha companheira, aquela a quem pedi que representasse a Doutrina, que a levasse por diante, que jamais a abandonasse; estou certo de que ela saberá cumprir o seu dever, mas quero que sejais seus amigos, que a amparais com a vossa irradiação, com o vosso apoio espiritual, suavizando-lhe os sofrimentos que possam advir da tremenda responsabilidade que lhe cabe e das muitas más irradiações que sobre si serão atiradas.

Isto fazendo, contentareis à minha alma e recebereis a recompensa do bem que fizerdes.

Assim sendo (Antonio), respeita, fortifica a tua alma, cumpre o teu dever, continua como até aqui, a desenvolver a parte espiritual com intensidade e valor; fiscaliza com critério e cuidado a parte material; zela pela Doutrina, luta com desprendimento, mas não esmoreças jamais na luta.

Terás o apoio de Luiz de Mattos, o meu apoio, o apoio de Pedro Lessa, de Monsenhor Moreira, essa plêiade de espíritos evoluidíssimos que se unem para te auxiliar, assim como a todos os companheiros na luta em prol da Verdade.

Elevai agora o vosso pensamento comigo, e procurai atrair nesta hora de paz, de sossego, de tranqüilidade espiritual, o nosso Pinheiro Chagas, o nosso Padre Antonio, o nosso Camillo, o nosso Camões, o nosso Eça de Queiroz, o nosso Custódio Duarte, essas belíssimas, evoluidíssimas trouxeram a Terra o Racionalismo Cristão, a Doutrina da Verdade, que a implantaram com tanto sofrimento, com tanta dor, com tanta luta, com tenta dificuldade!

Antonio Vieira! Nós que fomos teus instrumentos, desejamos que a tua obra sempre glorificada, pelo seu progresso, pela sua evolução, a fim de que sintas a tua alma satisfeita, ao mesmo tempo em que a nossa evolui pelo sofrimento adquirido na luta em prol da Doutrina."

Sobre Luiz Thomaz, o autor utilizou-se dos escritos contidos na obra Racionalista Cristã, Páginas Antigas, editada pelo Racionalismo Cristão em 1954, bem como no trabalho intitulado A Vida e a Obra de Luiz de Mattos, de Fernando Faria.